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Pokémon World Championships 2026: Alakazam desafia Dragapult e final do TCG é definida no dia 2

O segundo dia do Pokémon World Championships 2026, realizado neste último sábado, 29 de agosto, em San Francisco, transformou completamente a disputa do Pokémon TCG. Depois de uma primeira jornada marcada pelo domínio numérico de Dragapult ex, a fase seguinte mostrou que os decks preparados especificamente para enfrentá-lo conseguiram sobreviver em proporções maiores. Crustle, Alakazam, Teal Mask Ogerpon ex com Lillie’s Clefairy ex, Slowking e N’s Zoroark ex ganharam espaço, enquanto apenas 143 dos 797 jogadores que começaram a divisão Masters continuaram na corrida pelo título.

A resposta de Dragapult, entretanto, veio na hora decisiva. O arquétipo ocupou três das quatro vagas das semifinais. Apenas Diego Cassiraga, campeão mundial em 2017, conseguiu romper esse domínio com Alakazam e Dudunsparce, chegando à final contra o norte-americano Andrew Hedrick, que avançou com uma construção de Dragapult ex baseada em Crushing Hammer. O resultado deixou para o Championship Sunday um confronto que resume o metagame do Mundial: de um lado, uma das versões mais eficientes do deck que dominou numericamente o torneio; do outro, uma das estratégias de um Prêmio que mais cresceram justamente por oferecer uma maneira diferente de combater esse domínio.

Pokémon World Championships 2026: um resumo do segundo dia de evento

Segundo dia começou com 143 jogadores na Masters

O tamanho da mudança entre sexta e sábado ajuda a explicar a pressão da segunda jornada. A divisão Masters começou o Mundial com 797 competidores. Apenas 143 alcançaram a segunda fase, ou 17,9% do campo original. Além disso, os jogadores não chegaram ao sábado em condições iguais. Os resultados da primeira fase foram mantidos.

Brent Tonisson, por exemplo, começou o dia com 8 vitórias e nenhuma derrota, totalizando 24 pontos. Na outra ponta, havia jogadores que sobreviveram ao corte com 16 pontos e precisavam praticamente de uma campanha perfeita nas rodadas seguintes para continuar sonhando com o Top Cut. A própria transmissão destacou que quem chegava com vantagem poderia precisar de apenas uma ou duas vitórias, enquanto quem estava próximo da linha de corte tinha uma margem muito menor para erros.

O sábado teve mais quatro rodadas suíças na Masters, correspondentes às rodadas 9 a 12 do torneio. Em seguida entrou em funcionamento o chamado corte assimétrico: jogadores empatados com a pontuação da última posição classificatória disputariam vagas adicionais antes do Top 8 propriamente dito. Depois disso, todas as séries passaram a ser eliminatórias. A missão era clara: ao fim do sábado, os dois finalistas precisavam estar definidos para a decisão de domingo no Chase Center.

Dragapult cai de 42,9% para 29,4%, mas continua muito à frente

A primeira grande informação do sábado apareceu antes mesmo das partidas principais começarem. No Dia 1, alguma variante de Dragapult ex havia sido escolhida por 341 jogadores da Masters, correspondendo a 42,9% de todo o field. Depois do primeiro corte, apenas 42 desses jogadores permaneceram no torneio. Isso reduziu a presença de Dragapult para 29,4% do Dia 2. Ainda era, por ampla margem, o deck mais utilizado, mas a taxa de conversão ficou em 12,3% — abaixo dos 17,9% do field geral.

A distribuição entre os principais arquétipos da segunda fase ficou assim:

DeckJogadores no Dia 2Participação
Dragapult ex4229,4%
Teal Mask Ogerpon ex / Lillie’s Clefairy ex2014,0%
Alakazam / Dudunsparce149,8%
N’s Zoroark ex128,4%
Slowking117,7%
Crustle85,6%

Os números deixam clara uma transformação importante: Dragapult continuava sendo quase duas vezes mais popular que o segundo colocado, mas os decks pensados para enfrentá-lo haviam sobrevivido melhor ao primeiro dia.

Crustle foi o deck com melhor conversão para o Dia 2

O maior exemplo dessa mudança foi Crustle. Dos 21 jogadores que começaram o Mundial utilizando o arquétipo, oito avançaram, uma taxa de conversão de 38,1%. Foi o melhor resultado entre os principais decks analisados. Logo atrás apareceu Alakazam/Dudunsparce, com 14 classificados entre 54 jogadores, ou 25,9%. Teal Mask Ogerpon ex/Lillie’s Clefairy ex converteu 23,8%; Slowking, 23,4%; e N’s Zoroark ex, 20%. Todos ficaram acima da média geral de classificação da Masters.

Isso não significa, por si só, que Crustle era “melhor” que Dragapult. A taxa de conversão mede quantos jogadores de determinado arquétipo atravessaram o primeiro corte, e não a taxa de vitórias de cada deck. Mesmo assim, o dado ajuda a entender o que aconteceu. Quem decidiu não jogar de Dragapult e escolheu uma estratégia preparada para puni-lo encontrou resultados suficientes para transformar o Dia 2 em um ambiente consideravelmente mais diverso.

Crustle virou o “bicho-papão” da segunda fase

A transmissão deu destaque especial a Rune Heiremans, que começou a segunda fase com campanha de 7-0-1 utilizando Crustle. Os comentaristas chegaram a tratar o deck como uma espécie de “bicho-papão” da sala. Crustle não precisa necessariamente vencer uma corrida tradicional de Prêmios. Sua força está em criar um tipo de partida que alguns decks simplesmente têm dificuldade de jogar. Isso gera confrontos extremos.

Contra uma estratégia preparada para superar sua proteção, Crustle pode sofrer bastante. Contra determinadas listas, porém, pode estabelecer uma condição de jogo extremamente difícil de quebrar. Era exatamente isso que tornava Rune perigoso em um field cheio de Dragapult. A transmissão chegou a destacar que alguns dos líderes do torneio poderiam encontrar sérios problemas por não possuírem o atacante adequado para lidar com o Pokémon. E Rune não parou na fase suíça. Ele chegaria posteriormente às quartas de final do Mundial.

Alakazam começou o sábado como tendência e terminou como finalista

Se Crustle teve a melhor conversão, Alakazam foi a grande história competitiva do segundo dia. Quatorze jogadores avançaram utilizando o arquétipo com Dudunsparce, e vários nomes experientes estavam entre eles. A transmissão destacou Diego Cassiraga, Mateusz Łaszkiewicz e Alex Schemanske entre os competidores que haviam conseguido bons resultados com Alakazam. A estratégia também oferecia uma abordagem completamente diferente daquela vista em Dragapult.

Em vez de colocar um Pokémon ex de dois Prêmios como atacante principal, Alakazam trabalha com Pokémon de um Prêmio e transforma o tamanho da própria mão em pressão ofensiva. Seu ataque Powerful Hand coloca dois contadores de dano para cada carta na mão do jogador. Isso transforma o ato de comprar cartas em uma espécie de construção de dano. Kadabra, Alakazam e Dudunsparce fazem parte desse motor de compra, enquanto diferentes recursos permitem reciclar peças e aumentar novamente a mão antes de atacar.

Mãos gigantes transformaram Alakazam em uma ameaça real

Uma das partidas transmitidas mostrou exatamente como esse mecanismo funciona. Em determinado momento, a lista de Alakazam chegou a trabalhar com uma mão na faixa de 12 a 15 cartas. Evoluções e habilidades continuaram aumentando o número, permitindo que o atacante alcançasse um Mega Kangaskhan ex e conquistasse três Prêmios de uma só vez. Essa é uma característica particularmente importante no formato atual.

Mega Kangaskhan ex e outros Pokémon de três Prêmios oferecem enorme poder e resistência, mas também criam um risco: se um deck de um Prêmio conseguir produzir dano suficiente para derrubá-los de uma vez, a troca de Prêmios muda drasticamente de lado. Alakazam mostrou durante o Mundial que consegue fazer justamente isso.

Dudunsparce é parte fundamental do motor

Dudunsparce não está no nome do arquétipo por acaso. A linha de Dunsparce e Dudunsparce funciona como uma engrenagem de compra que pode ser utilizada repetidamente. Na transmissão, era possível ver Abra entrando para formar o atacante enquanto Dunsparce era preparado para evoluir e gerar mais cartas. Rare Candy também acelerava a chegada de Alakazam, e diferentes habilidades permitiam encadear várias compras no mesmo turno.

O objetivo não é simplesmente “ter cartas”. É chegar ao turno de ataque com uma mão grande o bastante para transformar Powerful Hand em um Nocaute. É uma lógica quase oposta à de muitos decks tradicionais, que tentam utilizar rapidamente os recursos da mão para construir o campo.

Special Red Card cria uma guerra em torno do tamanho da mão

Naturalmente, um deck que depende do tamanho da própria mão também fica vulnerável a disrupção. Isso criou alguns dos momentos mais interessantes das partidas de Alakazam. Em uma sequência transmitida, uma mão que havia chegado a aproximadamente 15 cartas foi reduzida para apenas três pela utilização de Special Red Card. A carta transforma o confronto em uma disputa de ritmo. O jogador de Alakazam quer acumular cartas e chegar ao dano necessário.

O adversário sabe disso e tenta interromper a mão exatamente antes do ataque decisivo. Depois da disrupção, o deck precisa reconstruir rapidamente sua quantidade de recursos com Dudunsparce, Alakazam e outros motores de compra. No Mundial, os melhores pilotos mostraram que o arquétipo é capaz de fazer essa reconstrução.

Callie White começa o Dia 2 derrotando Natalie Millar

A primeira grande partida transmitida no sábado colocou Callie White contra Natalie Millar. Natalie utilizava Dragapult ex com o pacote de Dusknoir. Callie, por outro lado, levou uma versão da chamada Big Basics Box, com Teal Mask Ogerpon ex, Lillie’s Clefairy ex, Mega Kangaskhan ex e outros atacantes Básicos. Era um confronto perfeito para mostrar a nova dinâmica do Dia 2. Dragapult era o deck dominante.

Confira um resumo do TCG do primeiro dia do Pokémon World Championships 2026!

Callie havia escolhido justamente uma estrutura com várias ferramentas para enfrentá-lo.

Lillie’s Clefairy ex voltou a mostrar por que é um dos principais anti-Dragapult

Lillie’s Clefairy ex era uma das peças centrais. Contra Dragapult, o Pokémon oferece uma rota de dano extremamente eficiente, enquanto Lillie’s Pearl pode alterar a quantidade de Prêmios concedida ao adversário. A resposta de Natalie estava no pacote Dusknoir. Com Curse Blast e os contadores distribuídos por Phantom Dive, a lista podia tentar contornar a matemática criada por Clefairy e eliminar alvos fora da sequência convencional.

O problema é que Callie não dependia de um único atacante. Mega Kangaskhan ex funcionava como motor de compra, Teal Mask Ogerpon ex ajudava na aceleração, Crispin corrigia Energias e Energy Switch permitia reposicionar recursos pelo campo.

Callie atacou o motor de Dragapult, não apenas o Dragapult

Uma das decisões mais importantes foi priorizar Drakloak. Em vez de concentrar toda a atenção no Dragapult já estabelecido, Callie utilizou Boss’s Orders para trazer Drakloak do Banco e eliminá-lo. Isso atacava diretamente a consistência da lista de Natalie. Sem Drakloak, desaparece uma das principais fontes de compra do arquétipo. E como a construção de Natalie não estava utilizando Rare Candy, a perda das evoluções intermediárias era ainda mais dolorosa.

Os comentaristas destacaram que Callie estava administrando o confronto levando Crushing Hammer em consideração e, simultaneamente, punindo a ausência de Rare Candy na lista adversária. Callie venceu a série. Na entrevista após a partida, a própria transmissão confirmou a vitória e destacou a tranquilidade da jogadora durante a série. Natalie, que havia realizado um excelente primeiro dia, começava assim o sábado com uma derrota.

Big Basics Box mostrou uma das vantagens de não depender de uma linha evolutiva

A partida também demonstrou por que o arquétipo de Callie ganhou espaço. Com vários Pokémon Básicos diferentes, o jogador pode alterar completamente o plano de ataque conforme o adversário. Mega Kangaskhan ex compra cartas. Teal Mask Ogerpon ex acelera Energia. Lillie’s Clefairy ex é uma resposta direta para determinados Pokémon. Raging Bolt ex oferece dano explosivo. Wellspring Mask Ogerpon ex pode ameaçar Pokémon pequenos no Banco.

A lista não precisa realizar exatamente a mesma sequência em todas as partidas. Depois da vitória, a transmissão ressaltou justamente essa flexibilidade e como a combinação entre Mega Kangaskhan, Crispin, Lillie’s Clefairy e Energy Switch transforma o deck em uma caixa de ferramentas.

Henry Chao e Jackson Ford protagonizam outro duelo de Dragapult

Mais tarde, o Mundial apresentou outra série importante: Henry Chao contra Jackson Ford. Os dois utilizavam Dragapult, mas de maneiras diferentes. A partida foi um bom exemplo de como dizer apenas “Dragapult” não explica completamente um deck. Jackson trabalhava com uma versão que incluía Blaziken ex, Rare Candy e Crispin.

Henry utilizava uma construção que não dependia de Rare Candy e precisava passar naturalmente por Drakloak para chegar ao Dragapult. Esse detalhe alterava completamente a forma como ambos respondiam à pressão.

Blaziken e Rare Candy permitiram a Jackson reconstruir rapidamente

Jackson perdeu o primeiro jogo, mas respondeu no segundo. A transmissão destacou três cópias de Rare Candy e duas de Crispin, além da aceleração oferecida por Blaziken ex. Quando Phantom Dive começou a espalhar dano e a partida avançou, Jackson conseguiu transformar rapidamente Pokémon Básicos em Estágio 2. Unfair Stamp também teve papel decisivo.

Com Henry temporariamente sem seu motor de compra estabelecido, reduzir sua mão permitiu que Jackson ganhasse o tempo necessário para recuperar o controle. O segundo jogo foi para Jackson, levando a série ao terceiro confronto. Henry, no entanto, venceu a rodada e seguiu invicto em partidas naquele momento — sua campanha mais tarde chegaria às semifinais. O registro final de Henry antes da eliminação foi 11-1-3.

Budew continuou sendo uma ferramenta importante

Outra carta que apareceu nesses confrontos foi Budew. Com Itchy Pollen, o pequeno Pokémon consegue bloquear o uso de Itens pelo adversário no turno seguinte. Isso é especialmente útil contra listas que precisam de Rare Candy, Ultra Ball, Buddy-Buddy Poffin e outras cartas para acelerar seu desenvolvimento. Henry utilizou essa rota em momentos nos quais precisava atrasar Jackson enquanto preparava a própria evolução por Drakloak.

É um exemplo de como uma carta de um Prêmio e baixíssimo dano pode ter enorme impacto competitivo.

Brent Tonisson chega a 10-0 antes de finalmente ser parado

Brent Tonisson começou o sábado como único jogador 8-0 e rapidamente aumentou a sequência. Na décima rodada, já aparecia com 10-0, enfrentando Callie White. Sua escolha era Dragapult com Crushing Hammer. A construção apostava menos em truques complexos e mais em consistência, pressão com Phantom Dive e interrupção de Energia. Brent chegou ao torneio exatamente com a proposta de reduzir riscos, algo destacado pela transmissão ainda no pré-show.

Sua primeira derrota viria justamente contra Henry Chao na rodada 11. Depois empataria com Mateusz Łaszkiewicz na rodada 12, mas a campanha anterior já era forte o bastante para colocá-lo diretamente na fase eliminatória.

Crushing Hammer virou uma das cartas que definiram o Mundial

A presença de Crushing Hammer não foi acidente. Andrew Hedrick já havia vencido o Regional de Los Angeles, meses antes do Mundial, utilizando Dragapult ex com quatro Crushing Hammer. A construção ganhou notoriedade justamente por transformar uma carta dependente de cara ou coroa em uma ferramenta estratégica contra decks com pouca aceleração de Energia e, principalmente, contra o mirror de Dragapult. A lógica é simples.

Dragapult precisa reunir Energias específicas para utilizar Phantom Dive. Se uma Crushing Hammer remove uma dessas Energias no momento certo, o adversário pode perder um turno inteiro de ataque. Em um mirror no qual os dois jogadores tentam estabelecer Phantom Dive continuamente, um único turno sem atacar pode mudar completamente a corrida de Prêmios. Andrew decidiu confiar novamente nessa filosofia no maior torneio da temporada.

O corte assimétrico colocou oito nomes na disputa pelas últimas vagas

Depois das rodadas suíças, o sistema assimétrico entrou em ação. Nathan Spry enfrentou Öjvind Svinhufvud, enquanto Diego Cassiraga encarou Kian Amini. Os seis melhores colocados receberam bye nessa etapa: Brent Tonisson, Andrew Hedrick, Satoshi Matsui, Henry Chao, Mateusz Łaszkiewicz e Rune Heiremans. Nathan e Diego venceram suas séries.

Com isso, o Top 8 da Masters ficou definido:

Quartas de finalCampanha naquele momento
Brent Tonisson x Nathan Spry12-1-1 x 10-2-2
Andrew Hedrick x Satoshi Matsui12-2-0 x 11-3-0
Henry Chao x Mateusz Łaszkiewicz11-0-3 x 10-2-2
Diego Cassiraga x Rune Heiremans11-1-2 x 10-1-3

Era um Top 8 que reunia exatamente as histórias do segundo dia: Dragapult, Alakazam, Crustle e algumas das melhores campanhas do evento.

Crustle finalmente encontra Diego Cassiraga

Uma das quartas de final mais interessantes foi Diego Cassiraga contra Rune Heiremans. Rune havia atravessado o torneio com Crustle, o deck com melhor taxa de conversão para o Dia 2. Diego vinha com Alakazam.

Durante a prévia da segunda fase, os comentaristas já haviam destacado que esse confronto dependia muito das escolhas específicas da lista de Alakazam. Certas cartas podiam oferecer respostas melhores a Crustle; sua ausência poderia transformar a série em uma situação bem mais favorável para Rune. Diego venceu.

Foi o fim da trajetória do deck com melhor conversão do primeiro corte, mas também o início da reta final de uma campanha histórica para o argentino.

Três Dragapult chegam ao Top 4

Nas outras quartas, Brent Tonisson derrotou Nathan Spry. Andrew Hedrick passou por Satoshi Matsui. Henry Chao eliminou Mateusz Łaszkiewicz. Diego Cassiraga venceu Rune Heiremans.

O resultado criou um Top 4 revelador:

  • Henry Chao — Dragapult ex / Dusknoir
  • Diego Cassiraga — Alakazam / Dudunsparce
  • Andrew Hedrick — Dragapult ex / Crushing Hammer
  • Brent Tonisson — Dragapult ex / Crushing Hammer

A composição dos arquétipos foi registrada também durante a cobertura do torneio. Depois de todo o crescimento dos decks anti-meta no Dia 2, Dragapult colocou três jogadores entre os quatro melhores do mundo. A queda de participação de 42,9% para 29,4%, portanto, não significava o fim de seu domínio competitivo.

Andrew Hedrick encerra a campanha de Brent Tonisson

A primeira semifinal colocou frente a frente dois Dragapult com Crushing Hammer. Andrew Hedrick contra Brent Tonisson. Era praticamente a manifestação máxima do que o formato havia se tornado. Ambos conheciam a estratégia. Ambos entendiam a importância da Energia.

Ambos possuíam acesso às Crushing Hammer que podiam decidir a corrida em uma única cara ou coroa. E os dois haviam produzido campanhas extraordinárias. Brent chegou à semifinal com 12-1-1. Andrew, com 12-2-0. Hedrick venceu e avançou à grande final com campanha de 13-2-0. Para Brent, restou o terceiro lugar e uma das melhores campanhas de toda a competição.

Diego Cassiraga derruba o último Dragapult do outro lado da chave

Na outra semifinal, Diego enfrentou Henry Chao. Era novamente Alakazam contra Dragapult. Só que agora uma derrota significava o fim da tentativa de título. Henry havia passado praticamente todo o torneio sem perder uma série, acumulando vitórias e empates até chegar à semifinal. Diego conseguiu derrotá-lo. Com isso, o argentino avançou para a final com campanha de 12-1-2, enquanto Henry encerrou o Mundial em quarto lugar, com 11-1-3.

O resultado foi simbólico. Dragapult havia tomado três das quatro vagas da semifinal. Alakazam precisava derrotar dois deles em sequência para ser campeão. Diego conseguiu superar o primeiro. Mas faltava Andrew.

Diego Cassiraga volta a uma final mundial nove anos depois

A trajetória ganha ainda mais peso pelo histórico do jogador. Diego Cassiraga foi campeão mundial da Masters em 2017. Nove anos depois, está novamente na partida que decide o melhor jogador de Pokémon TCG do mundo. A imprensa argentina destacou o feito depois que ele atravessou o Top Cut no sábado. Ele não chegou a San Francisco como alguém experimentando Alakazam pela primeira vez.

Cassiraga já havia utilizado Alakazam/Dudunsparce no North America International Championships de 2026, terminando aquele torneio em 36º lugar com campanha de 9-0-5. O Mundial foi a evolução dessa preparação.

Andrew Hedrick também chega com um deck que conhece profundamente

Do outro lado estará Andrew Hedrick. Sua relação com Dragapult/Crushing Hammer também não começou no Mundial. Hedrick venceu o Regional de Los Angeles de 2026 utilizando justamente uma construção com quatro Crushing Hammer. Em San Francisco, sua trajetória depois do começo irregular foi impressionante. Andrew perdeu para Murilo Mercadante na primeira rodada e para Lucas Matheus na quarta — dois brasileiros, curiosamente. Depois disso, não perdeu mais nenhuma série até a final.

No Dia 2, derrotou Jack Moore, Liam Halliburton, Joji Koyama e Natalie Millar antes do bye no corte assimétrico. Depois eliminou Satoshi Matsui e Brent Tonisson. Chega ao domingo com 13 vitórias e duas derrotas.

Brasil colocou oito jogadores da Masters no Dia 2

O Brasil também teve presença relevante na segunda jornada. Dos 143 jogadores que avançaram na Masters, 22 eram latino-americanos. O Brasil possuía a maior delegação desse grupo no Dia 2, com oito jogadores, seguido por México com cinco, Argentina com quatro, Chile com três e Peru com dois. Nenhum brasileiro, porém, chegou ao Top 8 da categoria Masters.

Mesmo assim, existe uma curiosidade importante na campanha do finalista Andrew Hedrick: suas duas únicas derrotas antes da final foram justamente para brasileiros, Murilo Mercadante e Lucas Matheus.

Final do TCG Masters coloca o deck dominante contra seu principal desafiante

Ao final do sábado, a decisão ficou definida entre Andrew Hedrick x Diego Cassiraga. O Limitless registra Hedrick com 13-2-0 e Cassiraga com 12-1-2 antes da final. Andrew representa Dragapult ex, o deck que começou o Mundial ocupando 42,9% da sala e sobreviveu até colocar três representantes no Top 4. Diego representa Alakazam/Dudunsparce, um arquétipo que começou com apenas 54 jogadores, colocou 14 no Dia 2 e terminou com um deles na partida pelo título. É difícil imaginar uma final que represente melhor o torneio.

O que esperar de Andrew Hedrick

O plano de Dragapult é conhecido, mas não simples. Phantom Dive aplica pressão no Pokémon Ativo enquanto distribui seis contadores de dano pelo Banco. Munkidori pode mover contadores. Boss’s Orders transforma Pokémon de suporte em alvos. Crushing Hammer tenta atrasar o ataque adversário. E a linha de Drakloak mantém as cartas entrando na mão. No caso de Andrew, Crushing Hammer é uma peça particularmente importante por permitir interferir diretamente na Energia do adversário sem gastar o Apoiador do turno. Sua versão que venceu Los Angeles utilizava quatro cópias da carta.

Contra Alakazam, porém, o problema é diferente do mirror. Alakazam não depende de um Pokémon ex principal entregando dois Prêmios. Andrew precisa administrar uma sequência mais longa de Nocautes ao mesmo tempo em que impede Diego de acumular uma mão grande o bastante para derrubar Dragapult.

O que esperar de Diego Cassiraga

Diego precisa fazer praticamente o oposto. Seu deck quer transformar o jogo em uma batalha de recursos. Dudunsparce compra cartas. Kadabra compra cartas. Alakazam compra cartas. Enriching Energy pode aumentar ainda mais a mão. E Powerful Hand transforma essa quantidade de cartas em contadores de dano. A construção que Cassiraga utilizou no NAIC já incluía recursos como Enhanced Hammer, Rare Candy, Nighttime Mine e diferentes Pokémon de suporte. Não é possível assumir que as 60 cartas sejam exatamente as mesmas no Mundial, especialmente porque houve uma expansão lançada entre os dois eventos. Mas a identidade estratégica permanece clara: Diego quer sobreviver à pressão inicial, construir a mão e encontrar o momento exato para converter cartas em Nocautes.

Dragapult venceu o sábado — mas ainda pode perder o Mundial

Esse é talvez o maior paradoxo do segundo dia. Os números inicialmente pareciam indicar que os decks anti-Dragapult tinham descoberto a resposta.

  • Crustle converteu 38,1%.
  • Alakazam, 25,9%.
  • Ogerpon/Clefairy, 23,8%.
  • Slowking, 23,4%.
  • N’s Zoroark, 20%.
  • Dragapult, apenas 12,3%.

Mas quando o torneio chegou às semifinais, três dos quatro jogadores estavam novamente com Dragapult. O deck perdeu participação e ainda assim dominou as posições mais altas. Só um Alakazam permaneceu no caminho.

O segundo dia criou a final perfeita para o metagame de 2026

A sexta-feira mostrou o tamanho de Dragapult. O sábado mostrou as tentativas de pará-lo. Crustle encontrou confrontos favoráveis e chegou às quartas. Big Basics Box derrotou Dragapult na mesa principal. N’s Zoroark permaneceu competitivo. Slowking colocou 11 jogadores na segunda fase. Alakazam multiplicou cartas na mão até transformar Pokémon de um Prêmio em atacantes capazes de eliminar Megaevoluções. E, no final de tudo, Dragapult ainda colocou três nomes entre os quatro melhores.

Por isso a final entre Andrew Hedrick e Diego Cassiraga é mais do que uma disputa entre dois jogadores. Ela representa duas respostas diferentes à principal pergunta do Pokémon TCG durante todo este Mundial. Andrew escolheu confiar no deck mais forte e refiná-lo para o ambiente, utilizando Crushing Hammer para ganhar pequenas vantagens que podem decidir uma série. Diego escolheu atacar o formato de outro ângulo, utilizando uma estratégia de um Prêmio que transforma compra de cartas e gerenciamento de mão em dano. Um deles sairá do Chase Center como campeão mundial.

E depois de dois dias de competição, o Pokémon World Championships 2026 chega ao domingo ainda com a mesma pergunta que abriu o torneio: Dragapult ex finalmente será coroado campeão mundial da Masters ou Alakazam conseguirá completar a maior reação anti-meta do fim de semana?

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