Pokémon World Championships 2026: confira todos os detalhes do primeiro dia
O Pokémon World Championships 2026 começou nesta sexta-feira, 28, em San Francisco, nos Estados Unidos, reunindo os melhores jogadores do mundo para a disputa dos títulos de Pokémon TCG, Pokémon Champions, Pokémon GO e Pokémon UNITE. No jogo de cartas, o primeiro dia confirmou aquilo que já era esperado antes do torneio: Dragapult ex é o Pokémon que todos precisam derrotar. O arquétipo, somando suas diferentes variantes, representou impressionantes 42,9% do metagame da primeira fase.
Mas limitar o primeiro dia do Mundial ao domínio de Dragapult seria ignorar boa parte do que aconteceu nas mesas. Festival Lead mostrou que ainda existe espaço para estratégias de um Prêmio, N’s Zoroark ex apareceu com uma construção cuidadosamente preparada para o ambiente do Mundial, Slowking alcançou uma presença incomum em um torneio desse tamanho e Mega Excadrill ex teve sua oportunidade de mostrar por que se tornou uma das principais novidades de Megaevolução — Escuridão Absoluta.
A sexta-feira também marcou o retorno do Mundial a San Francisco dez anos depois da edição de 2016 e ocorreu junto à primeira PokémonXP. A cerimônia de abertura celebrou os 30 anos da franquia e contou com Tsunekazu Ishihara, presidente e CEO da The Pokémon Company. Mais de 2 mil competidores chegaram à cidade para participar das diferentes modalidades. No TCG, porém, a pergunta era mais específica: alguém conseguiria escapar de Dragapult? Confira todos os detalhes abaixo!
Todos os detalhes do primeiro dia do Pokémon World Championships 2026
Pokémon TCG teve oito rodadas no primeiro dia do Mundial
A primeira fase do Pokémon TCG foi disputada em sistema suíço e em séries de melhor de três partidas. Masters e Seniors tiveram oito rodadas no primeiro dia, enquanto os Juniors disputaram sete. Para avançar ao sábado, os jogadores da Masters precisavam terminar com pelo menos 16 pontos; nas divisões Senior e Junior, a linha de corte ficou em 13 pontos. A vitória rende três pontos, enquanto o empate acrescenta um. A própria transmissão confirmou as oito rodadas suíças programadas para a sexta-feira antes da segunda fase no sábado.
Ao término do primeiro dia, 143 jogadores da Masters avançaram para o Dia 2. Nas outras divisões, foram 97 Seniors e 98 Juniors. O Mundial prossegue até domingo, quando as finais serão disputadas no Chase Center. Durante a transmissão, a organização também explicou que, depois das fases suíças, os melhores colocados seguem para a etapa eliminatória até restarem os dois finalistas de cada categoria.
Dragapult ex alcança absurdos 42,9% do metagame
O número que definiu o primeiro dia foi 42,9%. Foram 341 escolhas de Dragapult ex entre os participantes contabilizados no levantamento apresentado durante a transmissão. A organização agrupou diferentes versões do arquétipo nessa porcentagem, portanto não estamos falando de 341 listas idênticas. Ainda assim, praticamente quatro em cada dez jogadores chegaram ao maior torneio da temporada utilizando alguma construção baseada em Dragapult ex. A própria equipe de transmissão mostrou surpresa com o número — embora um dos comentaristas tenha admitido que esperava algo ainda próximo de 50%.
Melhores decks de Pokémon TCG em agosto de 2026: Dragapult ex lidera
O levantamento registrado durante a transmissão apresentou os seis arquétipos mais utilizados:
| Deck | Participação | Jogadores |
|---|---|---|
| Dragapult ex e variantes | 42,9% | 341 |
| Teal Mask Ogerpon ex / Lillie’s Clefairy ex | 10,6% | 84 |
| N’s Zoroark ex | 7,6% | 60 |
| Alakazam / Dudunsparce | 6,8% | 54 |
| Slowking | 5,9% | 47 |
| Mega Excadrill ex | 3,0% | 32 |
Os números foram exibidos durante a cobertura e também registrados pela comunidade que acompanhava o Mundial. A diferença entre primeiro e segundo lugar é enorme. Dragapult teve aproximadamente quatro vezes mais representantes do que a segunda estratégia mais popular.
Dragapult já era o deck a ser derrotado antes do Mundial
O resultado não surgiu do nada. Poucos dias antes do torneio, o painel de especialistas do próprio Pokémon.com colocou Dragapult ex novamente no topo de seu ranking para o Mundial. A prévia oficial trazia uma pergunta direta: existia alguma estratégia capaz de tirar Dragapult da primeira posição? Natalie Millar também colocou as variantes de Dragapult ex em primeiro lugar em sua análise do formato publicada pelo TCGplayer antes do evento. Na transmissão, o Pokémon foi apresentado quase como o “grande vilão” do fim de semana. Os comentaristas destacaram que não havia como fugir dele e que praticamente todos os principais jogadores precisariam ter um plano para enfrentar Dragapult repetidamente.
A situação cria um problema interessante de construção. Não basta simplesmente montar um deck que tenha um bom confronto contra Dragapult. Esse mesmo baralho precisa sobreviver a Zoroark, Slowking, Alakazam, Ogerpon Box, Festival Lead, Crustle, Mega Excadrill e outras estratégias do ambiente. Essa foi justamente uma das discussões da equipe de transmissão: encontrar algo capaz de vencer Dragapult e continuar funcionando contra o restante do metagame é muito mais difícil do que apenas criar um contador específico.
As diferentes versões de Dragapult também importam
Os 42,9% não representam um único deck. Existem construções mais diretas de Dragapult ex, além de variantes com Dusknoir, Blaziken ex e Dudunsparce, entre outras adaptações. O núcleo permanece semelhante. Dragapult ex utiliza Mergulho Fantasma (Phantom Dive) para atingir o Pokémon Ativo e simultaneamente distribuir contadores de dano pelo Banco adversário. Isso permite trabalhar com vários alvos ao mesmo tempo, preparar Nocautes futuros e alterar a rota tradicional de seis cartas de Prêmio.
As diferenças aparecem no suporte. Dusknoir adiciona Explosão Maldita (Cursed Blast) e aumenta a capacidade de manipular os Pontos de Saúde adversários. Dudunsparce ajuda no fluxo de cartas. Blaziken ex oferece outra forma de trabalhar Energias e pressão ofensiva. E versões mais enxutas abrem espaço para cartas específicas destinadas a determinados confrontos.
Por isso, preparar-se contra “Dragapult” não significa necessariamente preparar-se contra apenas um plano de jogo.
Ogerpon e Lillie’s Clefairy formam a segunda estratégia mais popular
Bem atrás de Dragapult, mas confortavelmente na segunda posição, apareceu a combinação de Teal Mask Ogerpon ex e Lillie’s Clefairy ex, utilizada por 10,6% dos jogadores. Foram 84 representantes. A estratégia reúne Pokémon Básicos de alto impacto e aproveita Teal Mask Ogerpon ex tanto como aceleração de Energia quanto como motor de compra. Lillie’s Clefairy ex, por sua vez, possui uma particularidade que ganhou bastante importância no metagame. Com Lillie’s Pearl, é possível alterar a quantidade de Prêmios entregue pelo Pokémon, criando situações nas quais o adversário não consegue simplesmente seguir o mapa tradicional de dois Nocautes sobre Pokémon ex.
Os comentaristas destacaram essa interação ao analisar os principais decks presentes no Mundial. É uma abordagem muito diferente de Dragapult, o que mostra que ainda havia espaço para tentar atacar o formato por outro ângulo.
N’s Zoroark ex chega como terceiro deck mais utilizado
N’s Zoroark ex terminou o levantamento inicial com 7,6%, ou 60 jogadores. Não é uma quantidade comparável aos 341 Dragapult, mas é suficientemente alta para transformar o arquétipo em uma parte relevante do ambiente. E uma das primeiras grandes histórias da transmissão envolveu justamente Zoroark. O deck possui uma característica especialmente valiosa em um Mundial: flexibilidade.
N’s Zoroark ex consegue utilizar ataques de diferentes Pokémon ligados à estratégia, permitindo ajustar a resposta conforme o confronto. Durante a prévia do evento, os comentaristas destacaram justamente sua capacidade de reproduzir ataques capazes de atingir Banco, buscar Nocautes elevados ou explorar rotas diferentes de Prêmios. Essa adaptabilidade torna Zoroark uma escolha particularmente interessante quando quase metade do salão utiliza um mesmo grande arquétipo.
Slowking surpreende com quase 50 jogadores
Se Dragapult era esperado, Slowking foi uma das histórias mais interessantes do gráfico. Foram 47 jogadores, equivalentes a 5,9% do campo. Os próprios comentaristas ressaltaram que era uma das maiores presenças de Slowking vistas até então em um grande evento. Parte desse crescimento pode ser relacionada ao desempenho recente do arquétipo. Ross Cawthon levou Slowking ao quarto lugar no North America International Championships de 2026, último grande Internacional antes do Mundial.
Com isso, o que anteriormente poderia ser tratado como uma escolha alternativa passou a exigir preparação real. Em um ambiente tão concentrado em Dragapult, qualquer estratégia que encontre uma rota eficiente de Prêmios e consiga atacar os principais confrontos começa a ganhar espaço rapidamente.
Alakazam com Dudunsparce também aparece forte
Alakazam com Dudunsparce chegou a 6,8% do campo, totalizando 54 jogadores. É outro número relevante porque coloca a estratégia acima de opções como Slowking e Mega Excadrill. A lista trabalha ao redor de um atacante de um Prêmio capaz de causar números elevados de dano enquanto Dudunsparce ajuda a manter o deck em movimento. O fato de Alakazam conceder apenas um Prêmio também muda completamente a matemática diante de decks centrados em Pokémon ex.
Em vez de o adversário precisar de três Nocautes de dois Prêmios, pode ser obrigado a atravessar uma sequência muito mais longa de atacantes. Isso se tornaria ainda mais interessante ao longo do próprio primeiro dia.
Festival Lead, Raging Bolt e Crustle formam a segunda camada do meta
A transmissão também exibiu arquétipos que ficaram abaixo dos seis primeiros colocados. Festival Lead apareceu com 3,1% e 25 jogadores. Raging Bolt ex também ficou em 3,1%, com 25. Teal Mask Ogerpon ex combinado a Meganium apareceu com 2,8%, ou 22 jogadores. Crustle teve 2,6%, com 21 representantes. Já Clefairy/Kangaskhan Box e Marnie’s Grimmsnarl ex/Froslass ficaram em 0,9%, com sete jogadores cada. Os números foram registrados pela comunidade a partir dos gráficos exibidos na transmissão.
O cenário mostra uma concentração enorme no topo, mas não ausência de diversidade. Os dez principais arquétipos reuniam aproximadamente 89% da sala.
Primeira partida transmitida foge completamente de Dragapult
Depois de mostrar que 42,9% do ambiente utilizava Dragapult, a transmissão começou justamente com uma partida sem o Pokémon. E isso acabou sendo uma boa maneira de apresentar a diversidade que existia por baixo dos números. O chileno Fernando Cifuentes, campeão mundial da Masters em 2024, entrou no palco utilizando Festival Lead contra o japonês Shun Ito, que apostou em uma estratégia baseada em Teal Mask Ogerpon ex, Meganium e Mega Kangaskhan ex.
Cifuentes ficou conhecido mundialmente ao vencer em 2024 utilizando Iron Thorns ex, um deck construído ao redor de restrição de habilidades. Dois anos depois, chegou a San Francisco com uma proposta completamente diferente.
Festival Lead mostra por que não pode mais ser tratado como brincadeira
Festival Lead teve uma trajetória curiosa no Pokémon TCG. Durante algum tempo, foi visto muito mais como uma estratégia alternativa do que como uma ameaça real aos maiores torneios. Isso mudou. A estrutura utiliza Pokémon de um Prêmio e gira principalmente ao redor da mecânica Festival Lead, com Thwackey funcionando como uma das grandes engrenagens de consistência.
Quando as condições estão corretas, o jogador consegue utilizar vários Thwackey para procurar repetidamente as cartas necessárias e construir um turno praticamente peça por peça. Na partida de Fernando, essa capacidade ficou clara. A transmissão destacou como o deck consegue encadear buscas, reconstruir seu campo e encontrar exatamente os recursos necessários para continuar atacando.
Gladion’s Final Battle mudou a matemática do deck
Uma das cartas importantes da versão atual é Gladion’s Final Battle. A carta funciona como um modificador de dano, mas exige que o jogador esteja sem cartas na mão para aproveitar seu efeito — condição que parece restritiva em quase qualquer outra estratégia. Festival Lead possui ferramentas para tornar isso possível. Durante a partida, a combinação permitiu que Fernando alcançasse 340 pontos de dano em um único ataque, número crucial em um formato no qual vários Pokémon extremamente resistentes passaram a existir com a chegada das Megaevoluções.
Os comentaristas chegaram a apontar 340 como uma espécie de “número mágico” para o ambiente atual. Não é difícil entender o motivo. Mega Kangaskhan ex e Mega Excadrill ex estão justamente nessa região de Pontos de Saúde.
Secret Box continua fundamental para Festival Lead
Outro elemento importante da lista de Festival Lead é Secret Box. O ACE SPEC ajuda a esvaziar a mão e simultaneamente encontrar diferentes categorias de cartas, algo particularmente útil em uma estratégia que quer configurar seus atacantes enquanto cria condições para Gladion’s Final Battle. Os próprios comentaristas apontaram essa interação durante a análise prévia do primeiro dia. Com isso, uma condição que à primeira vista parece difícil — ficar sem cartas na mão — passa a fazer parte do plano do deck.
A partida serviu como uma boa demonstração de quanto Festival Lead evoluiu ao longo das últimas expansões.
Shun respondeu com Meganium, Ogerpon e Mega Kangaskhan
Do outro lado da mesa, Shun Ito utilizava uma construção bem mais voltada para Pokémon de grandes Pontos de Saúde e aceleração de Energia. Teal Mask Ogerpon ex permite anexar Energia de Grama e comprar cartas por meio de sua habilidade, enquanto Meganium amplia ainda mais a eficiência energética da estratégia. Mega Kangaskhan ex entra como um atacante de enorme resistência.
O confronto se tornou justamente uma batalha entre duas filosofias: de um lado, Festival Lead tentando aproveitar Pokémon de um Prêmio e atingir números elevados com modificadores; do outro, uma estrutura capaz de colocar atacantes gigantes em campo.
A transmissão ainda mostrou uma escolha inesperada de ACE SPEC na lista de Shun, uma carta utilizada para recolher Pokémon e reposicionar recursos, surpreendendo inclusive os comentaristas.
Segunda grande história: N’s Zoroark de Liam Halliburton
Na rodada seguinte transmitida, uma das construções mais interessantes do início do Mundial apareceu nas mãos de Liam Halliburton. Halliburton não estava simplesmente utilizando uma lista convencional de N’s Zoroark ex. Seu deck havia sido preparado em parceria com Tord Reklev, um dos jogadores mais conhecidos da história competitiva do Pokémon TCG.
Em entrevista durante a transmissão, Liam agradeceu diretamente a Tord pelo trabalho conjunto na construção. Os comentaristas destacaram que cada carta parecia possuir uma função específica para algum confronto do ambiente. Isso é particularmente significativo em um Mundial. Em um torneio comum, uma lista pode ser ajustada para enfrentar os decks mais populares.

No Mundial, a margem é muito menor: cada uma das 60 cartas precisa justificar sua vaga.
Quatro Team Rocket’s Watchtower chamam atenção
Uma das escolhas mais marcantes da construção de Halliburton foram quatro cópias de Team Rocket’s Watchtower. O Estádio possui um papel específico contra determinados Pokémon e se tornou extremamente relevante na partida transmitida contra uma estratégia baseada em Mega Kangaskhan. Sem acesso normal às habilidades que mantinham o motor adversário funcionando, o oponente teve dificuldades para reconstruir a mão e responder à sequência ofensiva do Zoroark.
A transmissão destacou explicitamente que Halliburton estava usando quatro cópias justamente para aumentar a consistência desse plano. É o tipo de escolha que separa uma lista de torneio comum de uma lista feita para um Mundial.
Zoroark transforma ataques alheios em ferramentas próprias
A força da estratégia não está apenas no Estádio. N’s Zoroark ex possui acesso a diferentes ataques e consegue adaptar sua ofensiva conforme a situação da mesa. Na partida transmitida, a sequência de ataques colocou Halliburton rapidamente à frente na corrida de Prêmios. O deck também utilizou ferramentas para alcançar números específicos de dano, enquanto Boss’s Orders permitiu selecionar os alvos necessários para manter a vantagem.
Os comentaristas resumiram a partida como uma combinação de Team Rocket’s Watchtower com ataques copiados capazes de alcançar os Nocautes necessários. O resultado da demonstração foi importante não apenas para Liam, mas para o arquétipo como um todo. Se 60 jogadores chegaram ao Mundial com Zoroark, a transmissão mostrou logo no começo por que a estratégia havia conquistado esse espaço.
A construção de Liam tinha claramente Dragapult em mente
A presença de Zoroark em terceiro lugar no metagame não pode ser analisada separadamente dos 42,9% de Dragapult. Antes do torneio, especialistas já apontavam Zoroark como um dos decks com ferramentas interessantes para enfrentar o principal arquétipo do formato. A possibilidade de escolher ataques conforme o confronto oferece exatamente aquilo que um torneio como o Mundial exige: respostas para diferentes tipos de mesa sem precisar transformar metade do baralho em cartas situacionais.
Liam levou essa filosofia ainda mais longe ao trabalhar a lista com Tord Reklev. O resultado foi uma construção com techs específicas, mas que ainda preservava a identidade central do deck.
Mega Excadrill finalmente chega ao palco
Outro momento aguardado no primeiro dia foi a estreia de Mega Excadrill ex em uma mesa de destaque. O Pokémon chegou ao Mundial com bastante expectativa depois de Megaevolução — Escuridão Absoluta. No levantamento inicial, 32 jogadores optaram pelo arquétipo, o equivalente a 3% do campo. A quantidade parece pequena perto de Dragapult, mas 32 jogadores no maior torneio da temporada representam confiança considerável em um deck lançado recentemente.
Uma lista semelhante apareceu entre as principais estratégias apontadas pelo TCGplayer às vésperas do Mundial, com Mega Excadrill ex acompanhado por Genesect ex, Metang, Metagross e Mega Skarmory ex.
Metang é a engrenagem da aceleração
Na mesa transmitida, o deck de Mega Excadrill utilizou Metang e sua habilidade Metal Maker como motor de aceleração. O efeito permite observar as cartas do topo e anexar Energias de Metal encontradas dessa maneira aos Pokémon. Isso resolve um dos principais problemas de atacantes grandes: o tempo necessário para energizá-los.
Em vez de depender apenas da ligação manual de uma Energia por turno, o jogador pode colocar várias Energias em campo e preparar rapidamente Mega Excadrill, Metagross ou outros atacantes. Os comentaristas destacaram justamente o retorno de Metang ao protagonismo competitivo durante essa partida.
340 HP transformam Mega Excadrill em um problema matemático
Mega Excadrill ex possui 340 Pontos de Saúde. Esse número obriga muitos decks a prepararem uma resposta específica. Não basta simplesmente atacá-lo com qualquer Pokémon. Algumas estratégias precisam combinar modificadores de dano. Outras precisam espalhar contadores antes do Nocaute. Há ainda decks que preferem ignorar Mega Excadrill e buscar alvos menores no Banco.
É justamente por isso que a discussão dos 340 de dano na partida de Festival Lead era tão relevante. O metagame atual passou a exigir respostas para Pokémon que conseguem sobreviver a ataques que anteriormente seriam suficientes para derrubar praticamente qualquer alvo.
Dragapult com Dusknoir enfrenta Mega Excadrill
A demonstração ficou ainda mais interessante porque Mega Excadrill teve pela frente justamente uma variante de Dragapult ex com Dusknoir. A partida colocou frente a frente duas das grandes questões do formato. De um lado, Mega Excadrill tentava construir uma mesa de atacantes resistentes e acelerar Energia por meio de Metang.
Do outro, Dragapult não precisava necessariamente atingir os 340 Pontos de Saúde de uma só vez. Mergulho Fantasma podia atingir o Pokémon Ativo enquanto preparava outros alvos no Banco. Dusknoir aumentava ainda mais essa capacidade de manipular o campo.
A transmissão mostrou Dragapult eliminando um atacante e espalhando contadores pelo restante da mesa, obrigando o jogador de Mega Excadrill a encontrar uma forma de reconstruir simultaneamente sua ofensiva e sua posição de Prêmios.
Crushing Hammer também apareceu como arma contra os decks de Metal
Outro elemento importante foram as cópias de Crushing Hammer. Contra uma lista dependente de Energia de Metal, remover uma Energia pode atrasar exatamente o turno necessário para impedir que um Mega Pokémon ataque. O problema é que Metang consegue recuperar parte dessa perda por meio de Metal Maker. Isso cria uma pequena guerra de recursos.
Dragapult tenta reduzir as Energias disponíveis e espalhar dano pelo campo. Mega Excadrill tenta recuperar Energias, sobreviver aos ataques e colocar seus grandes Pokémon em posição ofensiva.
Em determinado momento da partida transmitida, Crushing Hammer removeu mais um recurso e alterou novamente a matemática da mesa.
Mega Skarmory ex adiciona ameaça ao Banco
A lista de Metal ainda possuía uma ferramenta diferente: Mega Skarmory ex. Na transmissão, os comentaristas discutiram a possibilidade de utilizar seu ataque para atingir Pokémon no Banco, incluindo Fezandipiti ex. Esse tipo de recurso é particularmente valioso porque permite evitar o Pokémon Ativo mais resistente e atacar diretamente o motor de compra do adversário. Ao mesmo tempo, Mega Skarmory ex também entrega três Prêmios quando é Nocauteado. Ou seja, colocá-lo em campo é uma decisão de grande impacto.
A partida mostrou bem a característica das novas Megaevoluções: oferecem poder e Pontos de Saúde elevados, mas a recompensa para o adversário também é enorme.
Alakazam aparece em confronto importante da sexta rodada
As rodadas posteriores do primeiro dia também mantiveram o interesse em decks fora do eixo principal de Dragapult. Na sexta rodada, o polonês Mateusz Łaszkiewicz apareceu utilizando uma construção de Alakazam com Dusknoir, enfrentando Piper Lepine, que jogava de N’s Zoroark. A escolha chamou atenção porque Mateusz havia vencido anteriormente um Regional em Praga utilizando Dragapult com Dudunsparce. Em vez de simplesmente repetir o deck que já havia lhe dado resultados, chegou ao Mundial com outra proposta. A mudança resume bem a preparação para esse tipo de evento.
Quando 42,9% dos participantes escolhem o mesmo grande arquétipo, alguns jogadores preferem levar a opção considerada mais segura. Outros tentam chegar um passo antes do formato.
Escolher não jogar com Dragapult também era uma decisão sobre Dragapult
Essa talvez seja a melhor maneira de entender o primeiro dia. Mesmo quando Dragapult não estava na mesa, sua presença influenciava a partida.
- Por que utilizar N’s Zoroark? Em parte porque precisa existir uma resposta para Dragapult.
- Por que jogadores passaram a considerar Alakazam de um Prêmio? Porque alterar a troca de Prêmios pode ser eficiente em um formato de Pokémon ex.
- Por que Slowking subiu para 47 representantes? Porque resultados anteriores mostraram que havia espaço para explorar outra rota.
- Por que Festival Lead apareceu no palco? Porque uma estratégia de um Prêmio que consegue chegar a 340 de dano possui argumentos reais contra um campo de Pokémon gigantes.
- E por que Mega Excadrill entrou no radar tão rapidamente? Porque 340 HP e aceleração de Metal obrigam os principais decks a encontrar respostas diferentes.
Dragapult não precisava estar em todas as partidas para estar presente em praticamente todas as decisões de construção.
341 Dragapult também significam muitos mirrors
Existe outro efeito de uma participação de 42,9%: o confronto espelhado deixa de ser exceção. Jogadores de Dragapult precisavam se preparar não apenas para o restante do metagame, mas também para enfrentar outros Dragapult repetidamente. Nesse cenário, pequenas alterações passam a ter enorme importância.
A escolha entre Dusknoir, Dudunsparce, Blaziken ou uma construção mais pura pode modificar completamente como o mirror é abordado. Uma única carta adicional de interrupção, uma ferramenta de dano ou uma opção para proteger o Banco pode definir uma série. É esse nível de refinamento que torna o Mundial diferente de simplesmente observar qual arquétipo possui a maior porcentagem.
Escuridão Absoluta deixou sua marca imediatamente
O Mundial também foi o primeiro grande teste definitivo para cartas de Mega Evolução — Escuridão Absoluta no maior palco da temporada. Mega Excadrill ex é o exemplo mais evidente. Antes do torneio, especialistas já o colocavam entre as cartas com potencial para influenciar o formato. O Pokémon rapidamente chegou às listas de melhores decks às vésperas do Mundial. Ainda assim, 32 jogadores representam apenas 3% do campo. Isso significa que a expansão não destronou as estruturas estabelecidas.
Pokémon TCG: as 10 cartas mais valiosas de Megaevolução — Escuridão Absoluta
Ao contrário: suas cartas foram incorporadas a um ambiente no qual Dragapult, Zoroark, Ogerpon, Alakazam e Slowking já possuíam resultados importantes. É uma mudança gradual, e não uma substituição completa do metagame.
Campeonato também mostrou diferença entre Japão e Ocidente
Outro aspecto interessante do Mundial é o encontro entre diferentes ambientes competitivos. A transmissão lembrou que o circuito japonês trabalha tradicionalmente com estruturas diferentes dos grandes torneios internacionais, incluindo forte presença de partidas em melhor de uma. No Mundial, esses jogadores precisam disputar séries em melhor de três contra adversários acostumados ao sistema ocidental. Isso altera não apenas a execução das partidas, mas também a construção.
Um deck capaz de surpreender em uma partida única pode ser obrigado a revelar muito mais de suas ferramentas durante uma série de três jogos. Ao mesmo tempo, jogadores japoneses frequentemente chegam com interpretações próprias do metagame e acabam apresentando cartas ou combinações que ainda receberam pouca atenção em outras regiões. A partida de Shun contra Fernando logo na primeira rodada foi uma demonstração disso.
143 jogadores sobrevivem ao primeiro corte da Masters
Depois de oito rodadas, a enorme sala da Masters foi reduzida. Ao todo, 143 jogadores alcançaram os 16 pontos necessários para continuar no sábado. Isso não significa que o torneio estivesse próximo do fim. O Dia 2 ainda inclui novas rodadas suíças antes do corte eliminatório. A diferença é que a margem para erro diminui.
Um jogador pode ter começado sexta-feira com espaço para absorver uma derrota ou um empate. A partir da segunda fase, cada resultado tem peso muito maior na corrida pelas posições superiores.
E o Brasil?
O Mundial contou com representantes de diferentes regiões, incluindo América Latina e Brasil. Entre os nomes brasileiros apontados pela transmissão antes das partidas estava Pedro Pertusi, campeão do Latin America International Championships da temporada, tratado como um dos jogadores da região a serem observados durante o fim de semana. A apresentação também destacou nomes como Gustavo Wada, bicampeão internacional e ex-campeão mundial da Junior.
Os resultados completos do primeiro corte variaram entre as divisões, e a lista de classificados segue sendo atualizada pelos canais de acompanhamento do evento. Para quem acompanha o cenário brasileiro, o sábado passa a ser especialmente importante porque é quando o torneio começa a transformar uma classificação para o Mundial em uma possibilidade real de Top Cut.
O primeiro dia deixou uma pergunta muito clara
Depois de oito rodadas, a principal pergunta do Mundial continua praticamente a mesma de antes da primeira carta ser comprada: alguém conseguirá impedir Dragapult ex de conquistar o título mundial? O primeiro dia entregou argumentos para os dois lados. De um lado, 341 jogadores e 42,9% de representação confirmam uma dominância difícil de ignorar. Nenhuma outra estratégia chegou sequer perto desse número. Do outro, o restante do campo não entrou em San Francisco despreparado.
N’s Zoroark trouxe listas refinadas especificamente para navegar pelo metagame. Festival Lead mostrou potencial para atingir 340 de dano usando uma estrutura de um Prêmio. Slowking alcançou sua maior presença recente. Alakazam apareceu em quantidade relevante. Mega Excadrill adicionou uma nova parede de 340 HP ao ambiente.
Até mesmo a previsão oficial da Pokémon antes do torneio colocava Dragapult no topo, mas reconhecia a existência de adversários capazes de ameaçá-lo.
Pokémon World Championships 2026 começou exatamente como um Mundial deve começar
O primeiro dia do Pokémon World Championships 2026 não respondeu quem possui o melhor deck do formato. Ele tornou a discussão mais interessante. Dragapult ex é, sem dúvida, o centro do metagame. Os números não deixam espaço para outra interpretação. Mas o Mundial não é decidido pela porcentagem de uso. É decidido por quem consegue atravessar uma sequência de séries contra os melhores jogadores do planeta, administrar seus recursos, adaptar-se aos confrontos e sobreviver a um formato no qual praticamente todos estudaram profundamente o mesmo inimigo.
Festival Lead, N’s Zoroark, Slowking, Alakazam, Ogerpon Box e Mega Excadrill mostraram já na sexta-feira que não pretendem entregar o troféu sem resistência. E há um detalhe histórico acompanhando toda essa disputa: dez anos depois do Mundial de 2016 em San Francisco, o Pokémon TCG voltou à cidade em pleno aniversário de 30 anos da franquia, agora cercado por uma PokémonXP e com as grandes finais programadas para o Chase Center. A sexta-feira serviu para revelar o tamanho do problema. Dragapult está em toda parte.
Agora, o restante do Mundial precisa descobrir se alguém realmente consegue pará-lo.
