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Japão avalia regulamentação do mercado de Pokémon TCG e outras cartas colecionáveis

Um grupo de parlamentares do Partido Liberal Democrata do Japão iniciou nesta quinta-feira, 23, discussões sobre uma possível regulamentação do mercado de cartas colecionáveis, incluindo produtos de Pokémon TCG e Yu-Gi-Oh!. A iniciativa busca responder ao crescimento das falsificações, da revenda especulativa, das compras em grande escala e do possível uso de cartas de alto valor em operações de lavagem de dinheiro. A criação do grupo parlamentar não representa a aprovação imediata de uma nova lei. Os integrantes deverão ouvir fabricantes, associações do setor e representantes do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão antes de elaborar recomendações de políticas públicas para o mercado.

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Imagem: Divulgação

Japão discute regras para o mercado de cartas colecionáveis

O grupo foi criado diante da transformação das cartas colecionáveis em bens negociados por valores que ultrapassam os preços originalmente praticados no varejo. Em comunicado reproduzido pela imprensa japonesa, os parlamentares afirmaram que as cartas deixaram de funcionar apenas como produtos de consumo. A expansão do mercado e o aumento de seu valor patrimonial teriam provocado problemas que exigem acompanhamento das autoridades. A proposta abrange o mercado de trading card games de forma ampla. Embora Pokémon TCG apareça no centro das discussões devido à dimensão de sua comunidade e ao valor alcançado por alguns exemplares, outras franquias japonesas, como Yu-Gi-Oh!, também fazem parte do setor analisado.

Entre os temas mencionados estão a circulação de cartas falsificadas, as compras em massa destinadas à revenda, a formação de preços no mercado secundário e a possibilidade de utilização de itens de alto valor para movimentar recursos de origem não declarada.

Mercado japonês chegou a 338,4 bilhões de ienes

Segundo dados atribuídos à Japan Toy Association, o mercado japonês de cartas colecionáveis alcançou aproximadamente 338,4 bilhões de ienes no ano fiscal de 2025. O setor registra crescimento contínuo desde 2017 e teria avançado cerca de 90% em um período de quatro anos. O valor de 2025 corresponde a aproximadamente US$ 2,1 bilhões a US$ 2,3 bilhões, dependendo da cotação utilizada na conversão. A expansão reúne diferentes segmentos. Além da venda de boosters, baralhos e coleções especiais pelas fabricantes, existe um mercado secundário formado por lojas especializadas, plataformas de comércio eletrônico, casas de leilão e empresas de avaliação e autenticação.

Nesse ambiente, o preço de uma carta pode ser influenciado pela raridade, pelo estado de conservação, pela tiragem, pelo personagem representado e pela nota concedida por uma empresa de graduação.

Valorização das cartas aumenta preocupação com falsificações

A elevação dos preços também torna as cartas mais atrativas para falsificadores. Exemplares de maior valor podem ser reproduzidos com o objetivo de enganar colecionadores, lojas e compradores menos experientes. As falsificações podem imitar cartas antigas, promoções distribuídas em quantidades limitadas e versões modernas com ilustrações alternativas. O problema não está limitado à impressão de uma carta falsa. Embalagens, certificados e estojos de empresas de graduação também podem ser reproduzidos para aumentar a aparência de legitimidade do produto.

A eventual regulamentação poderá considerar mecanismos de autenticação, rastreabilidade e cooperação entre fabricantes, lojas, empresas de avaliação e plataformas de venda. Ainda não há, porém, uma proposta final definindo quais medidas serão recomendadas.

Cartas podem ser utilizadas para movimentar valores

Outro ponto levantado nas discussões é o possível uso de cartas colecionáveis em lavagem de dinheiro. Cartas raras possuem características que podem facilitar esse tipo de prática: ocupam pouco espaço, podem ser transportadas com facilidade e nem sempre apresentam um preço único ou publicamente verificável. O valor depende de negociações entre compradores e vendedores, além das condições atribuídas ao exemplar.

Uma carta pode ser anunciada por determinado preço, mas isso não significa que exista liquidez suficiente para vendê-la pelo mesmo valor. Essa dificuldade de estabelecer uma referência objetiva pode permitir transações artificialmente elevadas ou a transferência de patrimônio entre pessoas. O grupo parlamentar deverá avaliar como enfrentar esse risco sem tratar todo o mercado de colecionáveis como uma atividade financeira convencional.

Carta de Logan Paul foi vendida por US$ 16,5 milhões

A dimensão alcançada pelo mercado ficou evidente em fevereiro de 2026, quando uma carta Pikachu Illustrator pertencente ao criador de conteúdo e lutador Logan Paul foi vendida por US$ 16,492 milhões. O exemplar recebeu nota PSA 10 e é considerado o único Pikachu Illustrator conhecido com a avaliação máxima da empresa. A venda estabeleceu um recorde para qualquer carta colecionável negociada em leilão, segundo certificação do Guinness World Records.

O Pikachu Illustrator foi produzido como prêmio de um concurso de ilustração realizado no Japão em 1998. Apenas algumas dezenas de unidades são conhecidas, e o estado de conservação do exemplar contribuiu para seu preço. A transação não representa o valor médio das cartas de Pokémon TCG, mas demonstra o nível alcançado por itens específicos no segmento de colecionáveis.

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Imagem: Internet

Empresas estrangeiras influenciam a formação de preços

Os parlamentares também demonstraram preocupação com a influência de empresas estrangeiras na definição do valor de produtos criados no Japão. Grande parte do mercado de cartas graduadas depende de companhias norte-americanas, responsáveis por verificar a autenticidade, avaliar o estado de conservação e encapsular os exemplares. As notas atribuídas por essas empresas podem alterar significativamente o preço praticado no mercado secundário.

Uma diferença entre as avaliações 9 e 10, por exemplo, pode gerar uma variação de milhares de dólares em determinadas cartas. O sistema também cria uma dependência de referências, leilões e bancos de dados administrados fora do Japão. O grupo parlamentar pretende discutir formas de fortalecer a propriedade intelectual e a participação de empresas japonesas na cadeia econômica criada por franquias originadas no país.

Seiji Kihara lidera grupo parlamentar

O grupo é presidido pelo deputado Seiji Kihara, integrante do Partido Liberal Democrata. Kihara defendeu a criação de regras capazes de combater irregularidades, mas indicou que o governo deve evitar uma regulamentação excessivamente restritiva. O parlamentar citou a experiência japonesa com o setor de criptomoedas como exemplo de um mercado que, em sua avaliação, perdeu espaço para os Estados Unidos após a adoção de controles rígidos.

A intenção declarada é equilibrar proteção aos consumidores, combate ao crime e incentivo a uma indústria associada à propriedade intelectual japonesa. O grupo deverá ouvir representantes do setor privado e do Ministério da Economia, Comércio e Indústria antes de concluir suas recomendações.

Medidas podem incluir combate a cambistas e compras em massa

A atuação de revendedores que compram grandes quantidades de um lançamento para revendê-lo por preços superiores também faz parte das preocupações. A prática reduz a disponibilidade de produtos no varejo e pode impedir que jogadores e colecionadores comprem pelo preço sugerido. Edições especiais, produtos exclusivos e expansões comemorativas costumam atrair operações organizadas de revenda.

Algumas lojas japonesas já adotam sorteios, limites por consumidor e exigências de identificação. As medidas procuram impedir que uma mesma pessoa realize diversas compras utilizando contas diferentes. A própria The Pokémon Company prepara um sistema de verificação de identidade para determinadas compras e inscrições no Japão. A partir de agosto de 2026, produtos selecionados do Pokémon Center Online poderão exigir confirmação por meio do cartão governamental My Number e do aplicativo de identificação digital do país.

Essa iniciativa é uma medida da empresa e não deve ser confundida com a eventual regulamentação analisada pelo grupo parlamentar.

Regulamentação ainda não possui regras definidas

Até o momento, não foi apresentado um projeto de lei detalhado. O grupo parlamentar foi encarregado de estudar o mercado e propor uma regulamentação considerada adequada. Por isso, ainda não é possível afirmar se as futuras recomendações envolverão tributação, identificação obrigatória de compradores, registro de transações, certificação de empresas ou fiscalização de plataformas. Também não está definido se as medidas serão aplicadas somente a cartas acima de determinado valor ou a todo o mercado de TCGs.

Os fabricantes e participantes do setor poderão apresentar suas avaliações durante as reuniões. As discussões deverão considerar o impacto das regras sobre crianças, jogadores competitivos, pequenos colecionadores, lojas locais e empresas que dependem da compra e venda de cartas.

Pokémon TCG completa 30 anos em meio à expansão do mercado

A discussão ocorre no ano em que Pokémon TCG celebra três décadas desde seu lançamento original no Japão, em 1996. Ao longo desse período, o jogo passou de um produto ligado aos videogames da franquia para um mercado internacional que envolve campeonatos, coleções comemorativas, vendas de cartas avulsas e serviços de avaliação. O crescimento também foi acompanhado por roubos em lojas, falsificações, invasões de contas, golpes em negociações e especulação sobre produtos lacrados. Esses casos reforçaram o debate sobre a necessidade de sistemas de segurança compatíveis com os valores movimentados.

A eventual regulamentação japonesa poderá influenciar outros mercados, especialmente porque o país abriga fabricantes e propriedades intelectuais responsáveis por parte significativa da indústria mundial de cartas colecionáveis. Por enquanto, o grupo parlamentar continuará reunindo informações antes de formular suas recomendações. Qualquer mudança obrigatória dependerá da apresentação e da aprovação das medidas pelos órgãos competentes do Japão.

Na última sexta-feira, 17, Pokémon TCG recebeu a nova coleção Megaevolução — Escuridão Absoluta, que já está disponível na Top Draw.

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